One Life Alive

Palestrante
Prof. Dr. Kenneth J. Doka

Luto e gênero – Videoaula do Prof. Dr. Kenneth J. Doka

Como cada pessoa reage ao luto? A dor do luto é diferente entre homens e mulheres? O gênero pode definir como uma pessoa viverá sua perda?

Após viver o luto de seu pai e a partir de suas experiências clinicando, o Prof. Dr. Kenneth J. Doka passou a refletir sobre quais fatores influenciam a forma como cada pessoa vivencia o luto.

Entre os inúmeros questionamentos levantados pelo professor está o papel do gênero: seriam os homens emocionalmente sem expressão e incapazes de se relacionar ou este é apenas um mito? Todas as mulheres têm um luto mais emotivo, expressivo?

As manifestações do luto

Nesta interessante videoaula, o professor destaca que o luto se manifesta de muitas maneiras: emocionalmente, fisicamente, cognitivamente, comportamentalmente e espiritualmente. Mediante tantas variáveis, a dor da perda é, evidentemente diferente de cada ser.

Ou seja, para o autor de Spirituality and End-of-Life Care, (entre outras obras), não existe uma forma única de manifestação do luto, mas há alguns comportamentos que podem ser identificados, ajudando no processo terapêutico.

 

Conexão com quem partiu, a evolução do luto e as 4 tarefas do luto segundo Willian Worden

O luto não é um processo regido pelo tempo, que termina no desapego”

Na avaliação de Doka, o processo de luto pode ser equiparado a uma montanha russa de emoções. Isto é, os altos e baixos são característicos de quem passou por uma perda e, portanto, não é possível prever uma linearidade de sentimentos que culminaria no desapego total. Pelo contrário: de acordo com o professor, todos encontram uma forma de manter uma espécie de conexão com a pessoa que partiu.

O professor destaca que, com o tempo, a dor do enlutado diminui e o sofrimento acaba por conduzi-lo a algum nível de desenvolvimento pessoal. Neste ponto de sua videoaula, o professor também ressalta os estudos de J. William Worden sobre as 4 tarefas do luto ou Worden’s Four Tasks of Mourning, que podem ser estudadas em sua obra Grief Counseling Therapy. Seriam elas:

(1) Reconhecer a perda

(2) Expressar a emoção

(3) Ajustar-se a uma vida alterada

(4) Realocar a perda e reconstituir a fé e os sistemas filosóficos alterados pela perda.

Mais uma vez, o modo como cada pessoa vai desempenhar tais tarefas irá diferir de indivíduo para indivíduo, de acordo com fatores diversos que deverão ser levados em conta no processo terapêutico. Se alguns vão “desempenha-las” bem, outros poderão “debater-se” sobre elas. E o gênero influenciaria na execução de tais tarefas?

Além do gênero: o luto intuitivo x instrumental

 

Ao lado de Terry L. Martin, Doka escreveu a obra Grieving Beyond Gender: Understanding the Ways Men and Women Mourn, que como o próprio nome sugere, busca compreender as influências do gênero no luto. Os autores, ao longo de seus estudos, perceberam, porém, que poderiam perpetuar estereótipos caso classificassem comportamentos simplesmente como masculinos ou femininos e assim chegaram a novos conceitos: o luto intuitivo x luto instrumental.

Homens tenderiam a ser mais instrumentais em seus lutos, ou seja, sua adaptação ao luto estaria diretamente relacionada a executar algo: uma obra, uma tarefa ou mesmo casar-se novamente e em pouco tempo para resolver uma situação em casa com os filhos, por exemplo. Mas há também homens extremamente emotivos, bem como há mulheres que são mais instrumentais em seu luto.

Assim, trazendo diversos casos reais de pacientes enlutados, Doka nos mostra como o gênero é mais um fator a influenciar o modo como um indivíduo vivencia o seu luto, mas está longe de ser determinante ou o mais importante. Aspectos como temperamento, cultura, as próprias mudanças no papel do gênero ao longo da história das sociedades entre muitos outros fatores devem ser levados em conta pelo terapeuta para oferecer o suporte necessário ao enlutado. Nesta fascinante videoaula, Doka nos convida a conhecer um pouco mais sobre tantas variáveis que envolvem o luto. “Sabemos que o luto é tão individual quanto as impressões digitais”, destaca o professor.

Saiba mais sobre o Prof. Dr. Kenneth J. Doka

O Prof. Dr. Kenneth J. Doka é professor de Gerontologia na Universidade de New Rochelle, no Estado de New York, Estados Unidos. É também Consultor Sênior da Hospice Foundation of America e editor do periódico OMEGA – Journal of Death and Dying, especializado em temas relativos a morte, morrer e luto.

É membro atuante da ADEC – Association for Death Education and Counseling, que realiza importantes reuniões científicas anualmente nos Estados Unidos. Também se destaca por sua participação no IWG – International Work Group on Death, Dying and Bereavement, para o qual contribui com sua experiência em questões relativas ao fim de vida e cuidados paliativos, tendo recebido em junho de 2018 o Premio Herman Feifel, por seus trabalhos na área do luto.

Sua lista de publicações é vasta, embora ainda não traduzido para o Português. Aborda o conceito de luto não reconhecido (termo cunhado por ele), luto antecipatório e questões de gênero.

Entre suas principais obras estão:

Grief is a journey: finding your path through loss (2016)

Counseling individuals with life-threatening illness (2008)

Disenfranchised grief: new directions, challenges, and strategies for practice (2002)

Death and spirituality (1993)

E muitas outras!

Assista às videoaulas do autor:

Luto e Gênero. Palestra sobre luto e comportamento 

Viver com uma doença que ameaça a vida.

Luto não reconhecido. Palestra e conceito 

 

Para saber mais sobre o autor, acesse: http://drkendoka.com

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