One Life Alive

Karen Scavacini Psicóloga
Palestrante Profa. Dra. Karen Scavacini

“O manejo clínico do luto por suicídio”
Videoaula da psicóloga Karen Scavacini

Estima-se que anualmente 4,8 milhões de pessoas sejam impactadas pelo suicídio no mundo (entre familiares, amigos, colegas de trabalho e outros).

No Brasil, são registrados, em média, 12 mil suicídios/ano o que acarreta em 60 mil novos sobreviventes (pessoas do relacionamento ou entorno de quem se suicidou) no país. Os números alertam para a gravidade do problema.
Nesta palestra da psicóloga Karen Scavacini aprenderemos um pouco sobre luto, luto por suicídio, como trabalhar o tema em consultório, o termo posvenção e suas implicações, as possíveis abordagens, boas práticas e os serviços disponíveis para amparar o sobrevivente enlutado.

O luto

Como destaca Karen, todos sabemos que vamos passar pelo luto em algum momento de nossas vidas, mas assim como cada um de nós tem a sua impressão digital, o luto difere de pessoa para pessoa.

O luto do suicídio é mais duradouro e traz algumas características específicas: o estigma, o tabu, a busca incessante do porquê, ou a prisão do “e se” (“e se tivesse feito isso ou aquilo”) e o aumento do desejo de suicídio entre os enlutados.

Traz também impactos físicos (que podem se assemelhar a outros tipos de luto), como insônia, agitação, fadiga, tonturas, palpitações, falta de apetite, boca seca, náuseas, alterações no ciclo menstrual e impactos cognitivos como angústia e fixação de pensamento (no momento em que encontrou o corpo, por exemplo).

O luto traz ainda o questionamento das crenças e o isolamento: quem tentou se suicidar e sobreviveu ou quem era próximo do suicida pode desejar afastar-se ou pode ser afastado pelos amigos.

Outros sentimentos

Há alguns sentimentos específicos aos sobreviventes como sensação de abandono, algumas vezes de alívio e com ela, a culpa, e a raiva, um dos sentimentos mais difíceis de ser trabalhado em consultório na avaliação de Karen.

O julgamento

Também é bastante comum que o julgamento do suicida seja transferido para família: não conseguiu ver, não tomou as providências necessárias entre outros questionamentos como estes.

Passos seguintes à morte

Segundo Karen, há alguns passos a serem seguidos após a morte e o provedor de ajuda (o terapeuta, por exemplo) pode colaborar com os familiares em alguns deles:

⁃ Orientação financeira e legal;
⁃ Inquérito policial (a morte, neste caso, é considerada suspeita e um inquérito será instalado);
⁃ Suporte de amigos;
⁃ Acesso a informações como onde procurar ajuda;
⁃ Necessidade de quem encontrou o corpo ( ou os afetados mais diretamente pela morte) de contar e recontar a história como parte do processo de melhora (e aqui a terapia pode ajudar);
⁃ Formas de manter a memória de quem partiu;
⁃ A busca por resignificar a morte.

Como o suicídio afeta o terapeuta

De acordo com Karen, o terapeuta também será afetado pela perda. Tanto do ponto de vista prático (perda do paciente e quebra daquela rotina de atendimento e, muitas vezes, participação no inquérito policial), como do ponto de vista emocional (laços com o paciente e questionamentos se poderia ter feito algo mais, o que pode lhe causar insegurança, por exemplo ou mesmo se está sendo responsabilizado pela família, o que acaba acontecendo em alguns casos).

As quatro tarefas do luto

Karen sintetiza as tarefas do luto, visando simplificar o que se passa com os sobreviventes, mas destacando sempre que cada um reage de modo distinto e que os sentimentos não são lineares. As quatro tarefas do luto são:

1. Lidar com a realidade da perda
2. Trabalhar com a dor do luto
3. Reconciliar-se com a vida
4. Fazer transição da presença física para a presença espiritual

Para ajudar o paciente, o terapeuta deverá ter experiência em lidar com o luto e no caso do luto por suicídio, é preciso considerar se realmente se sente preparado e livre de julgamentos para trabalhar com aquele paciente que veio buscar ajuda.

As tarefas do terapeuta|provedor de ajuda

Segundo Karen, cabe ao terapeuta:

⁃ Promover equilíbrio emocional;
⁃ Ser um porto seguro para aquele paciente;
⁃ Ajudar a encontrar rituais (se for o caso) que possam ser reconfortantes tanto para adultos quanto crianças (cada família vai encontrar o seu);
⁃ Proporcionar um ambiente acolhedor e livre de julgamentos

Posvenção

Convencionou-se chamar de posvenção as atividades que podem ajudar a diminuir o estresse causado pelo suicídio, ou seja, o suporte oferecido aos enlutados e a prevenção de um novo suicídio dentro desta população de sobreviventes.
Segundo a psicóloga, a posvenção ainda é muito incipiente no país, apesar de sua extrema importância para os enlutados.

Conclusão

Ainda há muito que se discutir sobre o tema suicídio e muito a ser feito para diminuir os números apresentados no início deste texto.
Na avaliação de Karen, é necessário seguir construindo abordagens baseadas em evidências, implementar boas práticas de atendimento, avaliar os serviços disponíveis (há mais serviços além da terapia), fazer um link entre os sobreviventes e tais serviços e desenvolver serviços específicos para o atendimento de crianças que passam por este trauma.

Sem dúvida, esta videoaula de Karen Scavacini vem esclarecer conceitos, indicar literaturas, mostrar caminhos e contribuir para ampliar o debate sobre este difícil e inadiável tema.

Sobre a Palestra:

Palestrante: Profa. Dra. Karen Scavacini
Título da Palestra: O Manejo Clínico do Luto por Suicídio.
Tempo de duração: 52 minutos
Idioma: Português – Brasil
Legenda: Português – Brasil
Período da locação: 1 semana

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