A perda de um filho: como sobreviver a essa dor?

Videoaula sobre a perda de um filho
Como sobreviver a dor da perda de um filho?

Tema difícil, denso, devastador. Mas é preciso falar a respeito. É preciso acolher mães, pais, irmãos, avós, familiares e amigos que faziam parte daquela vida que se foi. Ou daquela vida que não “se concretizou”; partiu antes de ser de fato. Como continuar? Como recomeçar?

A doutora Gabriela Caselatto, cofundadora, professora e supervisora do 4 Estações Instituto de Psicologia, aborda o assunto em uma videoaula para a One Life Alive, plataforma de educação online sobre saúde emocional. 

Gabriela destaca que o luto pela perda de um filho é, sem dúvida, um dos mais difíceis de serem vivenciados e trabalhados em terapia. A dor causa diversos níveis de impacto nos enlutados:

– nível instintivo: a sensação de impotência e fracasso no papel de cuidador. O sentimento de responsabilidade, de “poderia ter evitado”, os vários “e se” que se passam na mente dos pais;

– nível relacional: é a perda de uma relação única e intransferível. Um laço que não se refaz com a chegada de um outro filho, por exemplo. Um laço estabelecido ainda que a perda seja no estágio gestacional (um luto, muitas vezes não reconhecido, negligenciado pela sociedade);

– nível conjugal: as diferenças no modo de expressar a dor, expressar o luto estremecem, muitas vezes, a vida do casal. Um pode não querer falar a respeito, por sentir que “não vai aguentar”. O outro, precisa falar repetidamente para tentar diminuir a dor. Diferenças como essas, se não conversadas, trabalhadas, geram incompreensão e, muitas vezes, separações;

– nível familiar: qual era o papel daquela pessoa no momento que partiu? Por exemplo, era um jovem que acabou de entrar na faculdade? Alguém que estava doente ou partiu de repente? Uma criança? Um bebê? Era um bebê de um casal que não pode mais ter filhos? A perda ocorreu em decorrência de um acidente, uma doença, um suicídio? Tudo isso deve ser considerado para que, em um processo terapêutico, se encontre a melhor forma de intervenção, isto é, de ajudar os enlutados;

– nível comunidade: as pessoas do relacionamento daquela pessoa que partiu e/ ou do relacionamento dos pais tendem a se afastar dos enlutados por não saberem como lidar com tamanha dor, por pensarem que aquela dor poderia ser com elas ou ainda, se não se afastam, não falam sobre quem partiu (quando muitas vezes é justamente disso que os pais precisam). Se o filho era adolescente, os pais perdem o convívio com aqueles amigos. Se era um bebê ou um feto, o “sonho” se desfaz de forma abrupta. Até mesmo grupos de mães não se sentem abertos ou preparados para acolher aquela mãe que vinha alimentando seus sonhos, construindo aquela história, vivenciando aqueles preparativos com tanto amor e cuidado.

Gabriela destaca que seja a forma como o pai ou a mãe vivencia sua dor, não existe ex-pai, ex-mãe ou ex-filho. O laço estabelecido com o feto, o recém-nascido, o bebê, a criança, o adolescente, o jovem ou o adulto que partiu é eterno. O “continuar” ou “recomeçar” de quem ficou deverá ser a partir deste laço. A conexão entre pai e filho, mãe e filho será ressignificada com o suporte terapêutico, com o olhar cuidadoso e compreensivo da dor e com o tempo.

Para assistir à videoaula “Luto parental: o enfrentamento da perda de um filho”, acesse www.onelifealive.org

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