A humanização na Saúde passa pelo investimento em estrutura e na capacitação dos profissionais

A capacitação do profissional da saúde deve ir além da técnica, envolvendo a dimensão humana

“Respeitar a individualidade e emoções do enfermo é fundamental para estabelecer um vínculo de confiança entre paciente e cuidador”
Professora Maria Julia Paes da Silva

Todos sabemos que a Saúde Pública no Brasil carece de mais cuidados. Pesquisa do DataFolha de 2017, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina, mostrou que mais da metade dos brasileiros (54%) avalia o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como ruim ou péssimo. É preciso investir em tecnologia, estrutura e capacitação dos profissionais.

Quando falamos em capacitação, vamos além do treinamento em manuseio de aparelhos e sistemas. É urgente mostrar a necessidade de se conectar com o paciente, mostrar-se empático a sua dor e seu momento, ou seja, atender sem perder a dimensão humana.

Você sabe como ajudar uma pessoa em luto?

Por mais que o debate sobre o luto tenha se ampliado no Brasil, o tema ainda é tabu.

As pessoas evitam falar sobre o luto e, principalmente, evitam falar sobre quem partiu com o enlutado.

Há situações que o luto é tão devastador – como na perda de um filho, por exemplo – que as pessoas preferem não apenas evitar falar sobre o ocorrido como se afastar dos enlutados por total falta de conhecimento sobre como agir.

Enfermeiro do Samu canta para paciente com suspeita de infarto

Como estabelecer um vínculo entre cuidador e paciente durante o atendimento médico

Viralizou na internet um vídeo no qual um enfermeiro do Samu – Flavio Vitorino Costa, de 55 anos – canta para um idoso de 87 anos ao socorrê-lo por suspeita de infarto.

O senhor gostava de bolero, mas não se recordava de nenhum (por conta do Alzheimer) e então Flávio passou a cantar, no que foi acompanhado. 

A perda de um filho: como sobreviver a essa dor?

Como sobreviver a dor da perda de um filho?

Tema difícil, denso, devastador. Mas é preciso falar a respeito. É preciso acolher mães, pais, irmãos, avós, familiares e amigos que faziam parte daquela vida que se foi. Ou daquela vida que não “se concretizou”; partiu antes de ser de fato. Como continuar? Como recomeçar?

A doutora Gabriela Caselatto, cofundadora, professora e supervisora do 4 Estações Instituto de Psicologia, aborda o assunto em uma videoaula para a One Life Alive, plataforma de educação online sobre saúde emocional. 

Os sinais do suicídio: é possível prevenir?

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2016, foram registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) 106.374 óbitos por suicídio. Em 2016, a taxa chegou a 5,8 por 100 mil habitantes. O Sudeste concentrou quase metade (49%) das notificações seguido da região Sul, que concentra cerca de 25%. O órgão divulgou em sua página (www.portalms.saude.gov.br) alguns sinais de alerta para identificar um potencial suicida, destacando, porém, que não há uma fórmula infalível para isso, apenas uma tentativa de ajudar quem está em crise suicida, visando diminuir essas tristes estatísticas.

São sinais de alerta: 

Luto não reconhecido: o luto pelos animais de estimação

O Brasil é o país dos animais de estimação: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44,3% dos 65 milhões de domicílios possuem pelo menos um cachorro e 17,7% ao menos um gato. Os animais são considerados verdadeiros membros da família e quando morrem, despertam uma vivência de luto semelhante à quando se perde uma pessoa da família. Apesar de todo esse apreço, o luto por um animal de estimação é, no entanto, um luto não reconhecido pela sociedade. 

O luto coletivo nos faz chorar nossas próprias dores

Nos primeiros três meses de 2019, o Brasil passou por uma série de tragédias que culminaram na morte de centenas de pessoas: o rompimento da barragem em Brumadinho, as chuvas no Rio de Janeiro, o incêndio no centro de treinamento de base do Flamengo e agora, o assassinato de alunos e funcionários de uma escola em Suzano, São Paulo. O sentimento é de luto coletivo, momento pelo qual cada um nós se sensibiliza pela dor do outro e chora as próprias dores.

Na avaliação da psicóloga Dra. Maria Helena Pereira Franco, o luto coletivo é uma possibilidade de entrar em contato com o luto particular, mantido em privado, muitas vezes reprimido por questões diversas (porque a pessoa acredita que precisa ser forte ou por conta de nossa própria sociedade que praticamente exige que as pessoas elaborem seu luto de forma rápida e, portanto, superficial). 

A importância dos rituais para elaborar o luto

Os rituais do luto são diferentes entre as mais diversas religiões e culturas. Trazem em comum, no entanto, a importância de ajudar quem ficou a elaborar melhor seu luto e ressignificar sua vida mediante a perda que sofreu.

No Budismo, por exemplo, familiares e amigos se reúnem sete dias após a morte para celebrar a memória de quem se foi. O encontro se repete a cada sete dias até completar sete reuniões. No Japão, é realizado o Obon, uma celebração que acontece entre 13 e 15 de agosto todos os anos. Famílias enfeitam o templo ou áreas ao ar livre com lanternas coloridas, dançam e rezam, celebrando a visita dos antepassados. No cristianismo, é celebrada a missa de sétimo dia da morte. Entre outros exemplos. 

Teoria do apego: como o cuidado materno na primeira infância pode influenciar os relacionamentos do indivíduo no longo prazo

O cuidado materno na infância influencia o desenvolvimento psíquico do indivíduo até a vida adulta. Essa premissa faz parte da Teoria do Apego, desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby (1907-1990).

Segundo a Teoria, o relacionamento da criança com seu cuidador primário, em especial, a mãe, a ajudará a construir sua percepção sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o mundo.

Para Bowlby, é essencial que a criança receba os cuidados da mãe durante sua primeira infância (até em torno dos três anos de idade), pois a privação materna (ou de um cuidador especial) neste período poderia ocasionar consequências irreversíveis, como dificuldades cognitivas, sociais e emocionais no longo prazo.