Suicídio e posvenção: é preciso falar a respeito

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra 11 mil casos por ano ou o equivalente a 31 casos por dia. Desde 2007, o índice de casos cresceu 18%.

A taxa de suicídio entre pessoas mais jovens nunca esteve tão alta. Nos Estados Unidos, entre 2011 e 2016, o índice cresceu 20% entre pessoas de 15 e 24 anos (crescimento maior do que em qualquer outra faixa etária). No Brasil, ainda segundo o Ministério da Saúde, o crescimento foi o mesmo – 20% – na faixa dos 15 a 19 anos no mesmo período.

A importância dos cuidados paliativos para quem tem uma doença incurável

Segundo o Instituto Oncoguia, os cuidados paliativos oferecem assistência humana e compassiva para as pessoas na última fase de uma doença incurável para que possam viver o mais confortavelmente possível.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, com o apoio da Academia Nacional de Cuidados Paliativos desenvolveu uma cartilha de distribuição gratuita para abordar o tema. O material intitulado “Vamos falar de cuidados paliativos”, foi baseado no documento “Let’s talk about Palliative and Hospice Care” da autoria do OhioHealth, um sistema de saúde sem fins lucrativos, composto por hospitais e provedores de serviços de saúde localizado em Columbus, Ohio e região.

Covarde

Abandonando a religião

Um ano antes do meu marido morrer, eu tinha ido para Lavras da Mangabeira, no sertão do Ceará, a cidade da minha família, para ver o enterro do meu tio Miranêz. Vovó teve dez filhos e, aos seis primeiros, deu nomes que começam com Mir: Miranilde, Mirialdo, Miraneudo, Miranildo e a minha mãe, Mirian, que no Ceará, fala Miriã. Na época dos quatro últimos filhos, vovó radicalizou: vieram Pedro e José. E também Edna e Edinardo, que fizeram a transição entre os grupos dos com e sem Mir.

Eu tenho ainda um tio chamado Brilhante. Mas ele é filho de vovô Fiel com outra senhora. Fiel era o apelido de vovô na cidade, porque ele era muito honesto. Fiel, vejam só, teve ao menos outros três filhos fora do casamento. Na minha família tem a conversa de que vovô também é o pai do Zé Ramalho, o “Avorrai” – que na verdade, é “Avô Rai”, de avô Raimundo, o avô dele; que não é o pai de vovô. O tio Miranêz era a cara do Zé Ramalho.

Sobre luto não reconhecido e o papel de quem cuida do enlutado

O luto não reconhecido

O luto não reconhecido, termo cunhado por Kenneth Doka, é aquele no qual o enlutado tem vedada a oportunidade de vivenciar seu luto. Isso se dá por uma restrição da sociedade ao seu tipo de luto, como em relações não validadas ou aceitas; ao tipo de morte, por suicídio, por exemplo; aa características do próprio enlutado, como crianças e idosos. Os enlutados também podem exercer essa restrição em relação ao seu luto, impedindo-se de participar dos rituais, de expressar seu pesar e ate mesmo de pedir ajuda.

Colin Murray Parkes (1998) apresentou resumidamente as condições que encontramos para luto e luto não reconhecido e o que podemos fazer para, como profissionais, ajudar essas pessoas a enfrentar seu luto de maneira saudável. Esse autor destaca que profissionais da saúde podem ser os únicos em posição de ajudar pessoa que vivem um luto não reconhecido.

O idioma secreto da morte

Painel encontrado no túmulo do cavaleiro Sancho Sánchez Carrillo e sua mulher, Juana. O artista, de nome desconhecido, produziu a obra por volta de 1295. No desenho, há carpideiras, que choram, arrancam os cabelos e machucam seus rostos.

– Doutor, me fala, ele vai morrer?

– O dano foi importante, mas qualquer prognóstico é prematuro.

– Mas ele pode ficar bom?

– Precisamos aguardar a evolução do quadro. A cirurgia acabou há pouco tempo.

– Por que ele ainda está na sala da operação?

– Temos que estabilizá-lo.

– Doutor, me fala tudo. Eu quero saber das coisas.

– A psicóloga do hospital vai procurar a senhora.