Inteligência emocional se aprende na escola? Como educadores e psicólogos podem ajudar aquele aluno “difícil”?

"É preciso ter paciência e insistir porque a escola pode ser a segunda chance daquela criança estabelecer uma relação mais segura e, portanto, mais saudável com o mundo"

Na Universidad Complutense de Madrid, Rafael Guerrero é um dos únicos professores a ensinar aos seus alunos do Magistério – e que, portanto, serão futuros professores – técnicas de educação emocional. O professor realiza este trabalho de forma voluntária, já que a disciplina não consta na grade curricular, pois acredita que “muitos dos problemas dos adultos se devem às dificuldades em regular as emoções é isso não é ensinado na escola”, afirma. Assim, ele se empenha em ensinar futuros professores a entender e regular suas próprias emoções para que possam orientar crianças e adolescentes nesta mesma tarefa.

Para o jornal El País, Guerrero destaca ainda que as crianças que não aprendem a lidar com suas emoções, “ ao se tornarem adultos, têm dificuldade de se adaptar ao ambiente, ao trabalho e às relações pessoais”. Assim, perpetua-se um ciclo negativo iniciado muitas vezes na infância e que poderia ter sido modificado de forma positiva no ambiente escolar, com o apoio de educadores e psicólogos.

Segundo a Dra. Gabriela Casellato, na videoaula “Relações de cuidados formais e pedagógicas: como criar uma base segura”, disponível na plataforma One Life Alive, muitas vezes os educadores acabam desistindo daquele aluno mais difícil, arredio e que insiste em não entregar as tarefas, por exemplo. Mas ela afirma que é preciso ter paciência e insistir porque a escola pode ser a segunda chance daquela criança estabelecer uma relação mais segura e, portanto, mais saudável com o mundo.

Gabriela retoma a Teoria do Apego de John Bowlby, na qual afirma-se que a criança desenvolverá uma relação com seu cuidador principal (na maioria das vezes, a mãe), buscando sentir-se segura. Essa busca pela segurança é uma reação tão instintiva quando saciar a fome, por exemplo. Dependendo das respostas desse cuidador principal – se transmitiu segurança, se foi presente fisicamente mas ausente emocionalmente ou se foi completamente ausente – essa criança vai moldar sua relação com o mundo, tornando-se segura ou não, arredia, por vezes violenta para atrair atenção para si, entre outras possibilidades.

Assim, é preciso conhecer a história deste aluno, de sua família, acolher com empatia (sem julgamentos), para dar o suporte necessário, criando uma base segura para que essa criança possa se desenvolver. “O que acontece é muitas vezes a escola e os educadores acreditam que esta não é a sua função”. Com isso, a criança segue sem o suporte necessário.

De acordo com Rafael Bisquerra, diretor do programa de pós-graduação em Educação Emocional da Universidad de Barcelona e pesquisador do Grup de Reserca en Orientació Psicopegagògica – GROP -, também para a reportagem do El País: “o desenvolvimento de competências emocionais pode ser mais necessário do que saber como resolver equações de segundo grau” . Ainda nas palavras do diretor “ os objetivos da educação emocional são adquirir melhor conhecimento das próprias emoções e dos outros para prevenir os efeitos das emoções negativas – o que pode levar a problemas de ansiedade e depressão – e desenvolver a capacidade de gerar emoções positivas e automotivação”.

Quais cuidados os educadores podem ter com as crianças? – na videoaula, Gabriela lista alguns comportamentos de cuidados que podem ajudar nesta interação entre professor e aluno, ajudando a tirar o medo: contato visual, proximidade física, soluções práticas no tratamento de um indivíduo, entre outros. “No ambiente escolar, a criança precisará, por exemplo, da disponibilidade emocional e constância do professor (saber que ele está ali, disponível para ela e emocionalmente estável), bem como do ambiente: um local seguro, com rotinas, calmo. Esta combinação contribuirá para a sua sensação de segurança”, afirma.

Se deseja saber mais sobre as técnicas que educadores e psicólogos podem adotar para virar uma base segura na relação com a criança, assista à videoaula “Relações de cuidados formais e pedagógicas: como criar uma base segura”, disponível para locação em http://www.onelifealive.org/shop/relacoes-de-cuidados-formais-e-pedagogicas-como-criar-uma-base-segura/

Para acessar a reportagem completa do El País, clique aqui: https://elpais.com/economia/2017/01/27/actualidad/1485521911_846690.html

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *