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Os homens vivenciam o luto de forma diferente das mulheres?

Há tempos estudiosos do luto avaliam se o comportamento dos homens mediante a perda de alguém é diferente do comportamento das mulheres.

Recentemente, o portal Universa trouxe uma matéria sobre como um pai sentia que a dor pela perda de sua filha não era respeitada.

O pai, em questão, havia perdido a filha com apenas seis dias e sentia-se cobrado para ser forte e confortar a mulher, mas e a dor dele? Como vivenciar seu luto?

Segundo o prof. Dr. Kenneth J. Doka, o gênero é mais um fator a influenciar o luto, mas não é determinante. Outros fatores devem ser considerados, como a cultura do país, o temperamento do indivíduo e o próprio papel do gênero ao longo do tempo, ou seja, como as sociedades vem reavaliando os papéis de seus homens e mulheres.

Mas se sabemos que a sociedade impõe padrões aos indivíduos, então podemos depreender que, em uma sociedade predominantemente machista, o homem pode não conseguir expressar sua dor livremente, acabando por seguir os padrões impostos.

Nas palavras do pai da reportagem: “no luto pela minha filha, vi como o machismo também me afeta e foi como um tapa na cara”.

Doka e Terry L. Martin, autores de “Grieving Beyond Gender: understanding the ways men and women mourn”, ao tentarem compreender as diferenças de comportamento entre homens e mulheres mediante o luto, chegaram a novos conceitos: o luto intuitivo e o luto instrumental.

O luto intuitivo seria predominante entre mulheres e o instrumental, entre homens: para expressar sua dor, o homem enlutado passa a executar algo, como uma obra, uma tarefa, resolve se casar rapidamente, entre outras possibilidades.

Ao longo de seu estudo, porém, Doka e Martin também perceberam que há muitas mulheres com luto instrumental e muitos homens com luto intuitivo.

Assim, os autores chegaram à conclusão de que “o luto é tão individual como uma impressão digital”.

 

Saiba mais sobre “Luto e gênero” na videoaula do professor Doka em www.onelifealive.org

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