Como deve ser a comunicação entre um profissional da saúde e seu paciente?

Cada gesto conta na comunicação entre paciente e profissional da saúde

“O simples fato de o doente se sentir compreendido já é terapêutico”. A frase é do médico, psiquiatra e professor universitário Julio Machado Vaz em entrevista ao site português Sapo LifeSytle. A comunicação terapêutica, seja ela no cuidado de quem está no hospital provisoriamente ou sob cuidados paliativos (no hospital ou em casa), merece destaque. A forma como o profissional da saúde se comunica com o paciente tem total relação com a fluidez do tratamento, e, muitas vezes, contribui para um quadro de memória. É preciso estar atento à comunicação verbal e não verbal.

Nas palavras de Vaz “A relação médico-doente deve ser o encontro entre dois sujeitos em que um é especialista em doenças e o outro na sua doença. Ambos têm modelos explicativos para as queixas. Da sua articulação nasce uma aliança terapêutica que permite decisões partilhadas quanto ao melhor tratamento”.

Cuidados paliativos: alguns pontos de atenção para quem deseja atuar ou já atua na área

A importância do preparo para quem deseja trabalhar com cuidados paliativos

Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), atualmente existem hoje no Brasil 172 equipes atuando na área. De um total de 80 países, o Brasil ocupa a 42a posição no ranking de qualidade de morte realizado pela empresa britânica Economist Intelligence Unit.
Apesar ainda da pouca quantidade de equipes em atividade, considerando-se as dimensões do país, o número de pessoas atuando com qualidade em cuidados paliativos vem crescendo. Dados da ANCP mostram uma alta de quase 50% em um período de dois anos.

O tema “Cuidados Paliativos” reuniu líderes de diversos países para o 16o Congresso Mundial de Cuidados Paliativos da EAPC, em Berlim, em maio de 2019. Com o tema “Cuidados paliativos globais, moldando o futuro”, o evento trouxe à tona questões como a própria definição do que são os cuidados paliativos, como garantir a equidade no desenvolvimento de Cuidados Paliativos para as populações de países de baixa e média renda, bem como para grupos marginalizados (encarcerados, refugiados, pessoas em situação de rua, entre outros).

Inteligência emocional se aprende na escola? Como educadores e psicólogos podem ajudar aquele aluno “difícil”?

"É preciso ter paciência e insistir porque a escola pode ser a segunda chance daquela criança estabelecer uma relação mais segura e, portanto, mais saudável com o mundo"

Na Universidad Complutense de Madrid, Rafael Guerrero é um dos únicos professores a ensinar aos seus alunos do Magistério – e que, portanto, serão futuros professores – técnicas de educação emocional. O professor realiza este trabalho de forma voluntária, já que a disciplina não consta na grade curricular, pois acredita que “muitos dos problemas dos adultos se devem às dificuldades em regular as emoções é isso não é ensinado na escola”, afirma. Assim, ele se empenha em ensinar futuros professores a entender e regular suas próprias emoções para que possam orientar crianças e adolescentes nesta mesma tarefa.

Para o jornal El País, Guerrero destaca ainda que as crianças que não aprendem a lidar com suas emoções, “ ao se tornarem adultos, têm dificuldade de se adaptar ao ambiente, ao trabalho e às relações pessoais”. Assim, perpetua-se um ciclo negativo iniciado muitas vezes na infância e que poderia ter sido modificado de forma positiva no ambiente escolar, com o apoio de educadores e psicólogos.

Humanização na medicina: a empatia pelo paciente

Segundo o dicionário, “humanizar significa dar ou adquirir a condição humana”. Assim, atrelar humanização e medicina parece óbvio. Porém, ao longo da história, o avanço da tecnologia na medicina e a consequente mecanização do atendimento levou a um crescente distanciamento entre cuidadores e pacientes.

De acordo com Márcia Stephan, Mestre em Psicologia pela FGV-RJ e estudiosa de temas relativos ao relacionamento entre paciente e cuidador, entre outros, “se no começo do século eram poucos os recursos disponíveis na medicina, por outro lado o relacionamento entre paciente e médico era mais profundo”.

 

A importância dos cuidados paliativos para quem tem uma doença incurável

Segundo o Instituto Oncoguia, os cuidados paliativos oferecem assistência humana e compassiva para as pessoas na última fase de uma doença incurável para que possam viver o mais confortavelmente possível.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, com o apoio da Academia Nacional de Cuidados Paliativos desenvolveu uma cartilha de distribuição gratuita para abordar o tema. O material intitulado “Vamos falar de cuidados paliativos”, foi baseado no documento “Let’s talk about Palliative and Hospice Care” da autoria do OhioHealth, um sistema de saúde sem fins lucrativos, composto por hospitais e provedores de serviços de saúde localizado em Columbus, Ohio e região.

Sobre luto não reconhecido e o papel de quem cuida do enlutado

O luto não reconhecido

O luto não reconhecido, termo cunhado por Kenneth Doka, é aquele no qual o enlutado tem vedada a oportunidade de vivenciar seu luto. Isso se dá por uma restrição da sociedade ao seu tipo de luto, como em relações não validadas ou aceitas; ao tipo de morte, por suicídio, por exemplo; aa características do próprio enlutado, como crianças e idosos. Os enlutados também podem exercer essa restrição em relação ao seu luto, impedindo-se de participar dos rituais, de expressar seu pesar e ate mesmo de pedir ajuda.

Colin Murray Parkes (1998) apresentou resumidamente as condições que encontramos para luto e luto não reconhecido e o que podemos fazer para, como profissionais, ajudar essas pessoas a enfrentar seu luto de maneira saudável. Esse autor destaca que profissionais da saúde podem ser os únicos em posição de ajudar pessoa que vivem um luto não reconhecido.