Vamos falar sobre o luto? Conheça algumas iniciativas

Conheça algumas iniciativas que ajudam a elaborar o luto e acolher os enlutados

Todos nós, em algum momento de nossas vidas, vamos vivenciar o luto. Ainda assim, o tema não é tratado de forma aberta e espontânea em nossa sociedade. Cobra-se uma recuperação rápida dos enlutados, não se sabe como acolhê-los, e muitas vezes, no caso do luto parental (quando se perde um filho), os pais se veem sozinhos em sua dor porque os amigos, ao não saberem lidar com a situação, optam pelo afastamento. Mas falar sobre o luto é importante para a elaboração da dor.

Alguns projetos dedicam-se, justamente, a dar espaço para que as pessoas falem sobre seus lutos. Um deles é o “Vamos falar sobre o luto”, que se classifica como “plataforma digital de informação, inspiração e conforto para quem perdeu alguém que ama ou para quem deseja ajudar um amigo nessa etapa tão difícil. Uma tentativa de romper com o tabu e tornar a experiência menos triste e solitária”. Na página do projeto, é possível encontrar referências de grupos de apoio online e presenciais, histórias de enlutados e artigos sobre o tema, visando munir de informação e acolhimento quem tanto precisa de suporte.

Outro exemplo é a ong Amada Helena. Localizada no Sul do país, conta hoje com vários projetos focados na transformação social acerca do luto parental. Entre seus projetos estão o Dia das Mães de Anjo, que visa o acolhimento direto às famílias, através de uma tarde de programação voltada especificamente para elas, com atividades culturais, bem como falas sobre o processo de luto e o Encontro Multiprofissional, projeto dedicado a sensibilizar profissionais e estudantes da área da saúde, assim como demonstrar o impacto de um atendimento bem preparado após a perda e a importância do autocuidado.

Você sabe como ajudar uma pessoa em luto?

Por mais que o debate sobre o luto tenha se ampliado no Brasil, o tema ainda é tabu.

As pessoas evitam falar sobre o luto e, principalmente, evitam falar sobre quem partiu com o enlutado.

Há situações que o luto é tão devastador – como na perda de um filho, por exemplo – que as pessoas preferem não apenas evitar falar sobre o ocorrido como se afastar dos enlutados por total falta de conhecimento sobre como agir.

A importância dos rituais para elaborar o luto

Os rituais do luto são diferentes entre as mais diversas religiões e culturas. Trazem em comum, no entanto, a importância de ajudar quem ficou a elaborar melhor seu luto e ressignificar sua vida mediante a perda que sofreu.

No Budismo, por exemplo, familiares e amigos se reúnem sete dias após a morte para celebrar a memória de quem se foi. O encontro se repete a cada sete dias até completar sete reuniões. No Japão, é realizado o Obon, uma celebração que acontece entre 13 e 15 de agosto todos os anos. Famílias enfeitam o templo ou áreas ao ar livre com lanternas coloridas, dançam e rezam, celebrando a visita dos antepassados. No cristianismo, é celebrada a missa de sétimo dia da morte. Entre outros exemplos.