Viver com uma doença que ameaça a vida: como cuidar de quem está prestes a partir e a importância do cuidar de quem cuida

Do diagnóstico de uma doença grave à busca pelo tratamento adequado. Durante a trajetória, porém, a constatação de que não é mais possível curar. Como conviver com uma doença que ameaça a vida? Como proporcionar ao enfermo uma vida digna até o final? E todos os profissionais da saúde estariam aptos a assumir este tipo de trabalho?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o número de idosos no Brasil deve dobrar até 2042. A última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), mostrou que o número de brasileiros com mais de 60 anos superou os 30 milhões em 2017. Em cinco anos, o país ganhou 4,8 milhões de idosos, um acréscimo de 19%, o que demonstra o envelhecimento da população.

Evidentemente que as doenças graves não acometem apenas os idosos, mas eles são os mais vulneráveis. É preciso falar sobre como cuidar desta população, preparar-se para o desenlace e como cuidar de quem cuida: profissionais da saúde, familiares e amigos.

A importância dos rituais para elaborar o luto

Os rituais do luto são diferentes entre as mais diversas religiões e culturas. Trazem em comum, no entanto, a importância de ajudar quem ficou a elaborar melhor seu luto e ressignificar sua vida mediante a perda que sofreu.

No Budismo, por exemplo, familiares e amigos se reúnem sete dias após a morte para celebrar a memória de quem se foi. O encontro se repete a cada sete dias até completar sete reuniões. No Japão, é realizado o Obon, uma celebração que acontece entre 13 e 15 de agosto todos os anos. Famílias enfeitam o templo ou áreas ao ar livre com lanternas coloridas, dançam e rezam, celebrando a visita dos antepassados. No cristianismo, é celebrada a missa de sétimo dia da morte. Entre outros exemplos. 

Suicídio e posvenção: é preciso falar a respeito

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra 11 mil casos por ano ou o equivalente a 31 casos por dia. Desde 2007, o índice de casos cresceu 18%.

A taxa de suicídio entre pessoas mais jovens nunca esteve tão alta. Nos Estados Unidos, entre 2011 e 2016, o índice cresceu 20% entre pessoas de 15 e 24 anos (crescimento maior do que em qualquer outra faixa etária). No Brasil, ainda segundo o Ministério da Saúde, o crescimento foi o mesmo – 20% – na faixa dos 15 a 19 anos no mesmo período.

O idioma secreto da morte

Painel encontrado no túmulo do cavaleiro Sancho Sánchez Carrillo e sua mulher, Juana. O artista, de nome desconhecido, produziu a obra por volta de 1295. No desenho, há carpideiras, que choram, arrancam os cabelos e machucam seus rostos.

– Doutor, me fala, ele vai morrer?

– O dano foi importante, mas qualquer prognóstico é prematuro.

– Mas ele pode ficar bom?

– Precisamos aguardar a evolução do quadro. A cirurgia acabou há pouco tempo.

– Por que ele ainda está na sala da operação?

– Temos que estabilizá-lo.

– Doutor, me fala tudo. Eu quero saber das coisas.

– A psicóloga do hospital vai procurar a senhora.