O luto coletivo nos faz chorar nossas próprias dores

Nos primeiros três meses de 2019, o Brasil passou por uma série de tragédias que culminaram na morte de centenas de pessoas: o rompimento da barragem em Brumadinho, as chuvas no Rio de Janeiro, o incêndio no centro de treinamento de base do Flamengo e agora, o assassinato de alunos e funcionários de uma escola em Suzano, São Paulo. O sentimento é de luto coletivo, momento pelo qual cada um nós se sensibiliza pela dor do outro e chora as próprias dores.

Na avaliação da psicóloga Dra. Maria Helena Pereira Franco, o luto coletivo é uma possibilidade de entrar em contato com o luto particular, mantido em privado, muitas vezes reprimido por questões diversas (porque a pessoa acredita que precisa ser forte ou por conta de nossa própria sociedade que praticamente exige que as pessoas elaborem seu luto de forma rápida e, portanto, superficial). 

A importância dos rituais para elaborar o luto

Os rituais do luto são diferentes entre as mais diversas religiões e culturas. Trazem em comum, no entanto, a importância de ajudar quem ficou a elaborar melhor seu luto e ressignificar sua vida mediante a perda que sofreu.

No Budismo, por exemplo, familiares e amigos se reúnem sete dias após a morte para celebrar a memória de quem se foi. O encontro se repete a cada sete dias até completar sete reuniões. No Japão, é realizado o Obon, uma celebração que acontece entre 13 e 15 de agosto todos os anos. Famílias enfeitam o templo ou áreas ao ar livre com lanternas coloridas, dançam e rezam, celebrando a visita dos antepassados. No cristianismo, é celebrada a missa de sétimo dia da morte. Entre outros exemplos.