Não existe ex-mãe, ex-pai ou ex-filho: as conexões são eternas

Conexões entre pais e filhos permanecem após a morte

A perda de um filho na gestação é um luto não reconhecido

Uma mãe do interior de São Paulo perdeu uma de suas gêmeas ainda na gestação e resolveu homenagear sua filha com um ensaio fotográfico. As imagens, de uma doçura e profundidade tocantes, retratam a irmã recém-nascida ao lado de representações da irmã que não sobreviveu.

A mãe também escreveu uma carta à filha que partiu na “voz” da irmã que nasceu, falando sobre os vínculos entre as duas, a vontade de que permanecessem sempre unidas de alguma forma.

O luto gestacional é, infelizmente, um luto não reconhecido. Na concepção do Prof. Dr. Kenneth J. Doka, luto não reconhecido é quando a pessoa não tem seus sentimentos validados pelo próximo, como se não pudesse ou não devesse sentir o que está sentindo. No caso do luto gestacional, não se compreende como a pessoa pode sofrer por alguém que “nem existiu”, ou ainda comete-se o erro de dizer que a pessoa “tem outro filho” ou “pode ter mais filhos”, negligenciando-se, assim, a dor daqueles pais e irmãos e não se atentando para o fato de que uma pessoa não substitui outra.

A perda de um filho: como sobreviver a essa dor?

Como sobreviver a dor da perda de um filho?

Tema difícil, denso, devastador. Mas é preciso falar a respeito. É preciso acolher mães, pais, irmãos, avós, familiares e amigos que faziam parte daquela vida que se foi. Ou daquela vida que não “se concretizou”; partiu antes de ser de fato. Como continuar? Como recomeçar?

A doutora Gabriela Caselatto, cofundadora, professora e supervisora do 4 Estações Instituto de Psicologia, aborda o assunto em uma videoaula para a One Life Alive, plataforma de educação online sobre saúde emocional. 

Luto não reconhecido: o luto pelos animais de estimação

O Brasil é o país dos animais de estimação: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44,3% dos 65 milhões de domicílios possuem pelo menos um cachorro e 17,7% ao menos um gato. Os animais são considerados verdadeiros membros da família e quando morrem, despertam uma vivência de luto semelhante à quando se perde uma pessoa da família. Apesar de todo esse apreço, o luto por um animal de estimação é, no entanto, um luto não reconhecido pela sociedade. 

A importância dos rituais para elaborar o luto

Os rituais do luto são diferentes entre as mais diversas religiões e culturas. Trazem em comum, no entanto, a importância de ajudar quem ficou a elaborar melhor seu luto e ressignificar sua vida mediante a perda que sofreu.

No Budismo, por exemplo, familiares e amigos se reúnem sete dias após a morte para celebrar a memória de quem se foi. O encontro se repete a cada sete dias até completar sete reuniões. No Japão, é realizado o Obon, uma celebração que acontece entre 13 e 15 de agosto todos os anos. Famílias enfeitam o templo ou áreas ao ar livre com lanternas coloridas, dançam e rezam, celebrando a visita dos antepassados. No cristianismo, é celebrada a missa de sétimo dia da morte. Entre outros exemplos.