Como deve ser a comunicação entre um profissional da saúde e seu paciente?

Cada gesto conta na comunicação entre paciente e profissional da saúde

“O simples fato de o doente se sentir compreendido já é terapêutico”. A frase é do médico, psiquiatra e professor universitário Julio Machado Vaz em entrevista ao site português Sapo LifeSytle. A comunicação terapêutica, seja ela no cuidado de quem está no hospital provisoriamente ou sob cuidados paliativos (no hospital ou em casa), merece destaque. A forma como o profissional da saúde se comunica com o paciente tem total relação com a fluidez do tratamento, e, muitas vezes, contribui para um quadro de memória. É preciso estar atento à comunicação verbal e não verbal.

Nas palavras de Vaz “A relação médico-doente deve ser o encontro entre dois sujeitos em que um é especialista em doenças e o outro na sua doença. Ambos têm modelos explicativos para as queixas. Da sua articulação nasce uma aliança terapêutica que permite decisões partilhadas quanto ao melhor tratamento”.

Eu posso me sentir em luto quando alguém famoso morre?

“O luto não reconhecido é um paradoxo e por isso pode ser intensificado. A pessoa vivencia o luto, mas os suportes sociais usuais estão ausentes”. Kenneth J. Doka

Na última segunda-feira, recebemos a triste notícia da morte do jovem cantor Gabriel Diniz, que ficou famoso com sua música “Jennifer” e também recentemente da cantora Beth Carvalho. Veículos de comunicação de todo o país noticiaram as despedidas de famosos e de fãs de todo o Brasil que quiseram render as últimas homenagens às celebridades. Mas é possível sentir luto quando alguém famoso morre?

As celebridades – atrizes, atores, cantores, entre outros profissionais – fazem parte, de certo modo, do nosso cotidiano. Ouvimos suas canções, acompanhamos séries, filmes, novelas e, por meio de sites e blogs, sua intimidade e relacionamentos. Acabamos por construir algum tipo de relação com essas pessoas, seja por admiração ou curiosidade. Mas a morte também acomete as “estrelas” e por vezes nos sentimos desorientados, sem saber se “podemos” nos sentir tristes quando um famoso morre, afinal, esta pessoa não fazia parte “de fato” de nossas vidas.

O luto por uma celebridade é um tipo de luto não reconhecido, termo cunhado pelo Prof Dr. Kenneth J Doka, professor de Gerontologia na Universidade de New Rochelle, Consultor Sênior da Hospice Foundation of America e especialista em temas relativos à morte, morrer e luto, com diversas obras publicadas. Segundo Doka, “a definição de luto não reconhecido fala de uma perda que não pode ser aceita socialmente, abertamente reconhecida ou ter seu luto vivido publicamente.

A humanização na Saúde passa pelo investimento em estrutura e na capacitação dos profissionais

A capacitação do profissional da saúde deve ir além da técnica, envolvendo a dimensão humana

“Respeitar a individualidade e emoções do enfermo é fundamental para estabelecer um vínculo de confiança entre paciente e cuidador”
Professora Maria Julia Paes da Silva

Todos sabemos que a Saúde Pública no Brasil carece de mais cuidados. Pesquisa do DataFolha de 2017, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina, mostrou que mais da metade dos brasileiros (54%) avalia o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como ruim ou péssimo. É preciso investir em tecnologia, estrutura e capacitação dos profissionais.

Quando falamos em capacitação, vamos além do treinamento em manuseio de aparelhos e sistemas. É urgente mostrar a necessidade de se conectar com o paciente, mostrar-se empático a sua dor e seu momento, ou seja, atender sem perder a dimensão humana.

Humanização na medicina: a empatia pelo paciente

Segundo o dicionário, “humanizar significa dar ou adquirir a condição humana”. Assim, atrelar humanização e medicina parece óbvio. Porém, ao longo da história, o avanço da tecnologia na medicina e a consequente mecanização do atendimento levou a um crescente distanciamento entre cuidadores e pacientes.

De acordo com Márcia Stephan, Mestre em Psicologia pela FGV-RJ e estudiosa de temas relativos ao relacionamento entre paciente e cuidador, entre outros, “se no começo do século eram poucos os recursos disponíveis na medicina, por outro lado o relacionamento entre paciente e médico era mais profundo”.

 

Posvenção: a ajuda necessária aos sobreviventes do luto por suicídio

O suicídio é a quarta causa de mortes de homens e mulheres entre 15 e 29 anos no Brasil. A partida desses jovens deixa vários “sobreviventes enlutados”: termo usado para designar os familiares e amigos de pessoas que tiraram a própria vida.

Se vivenciar o luto já não é tarefa das mais fáceis, o luto por um suicida pode ser ainda mais intenso e traz características próprias, tais como a busca incessante do porquê, a tendência da culpabilização da família, em especial dos pais e o aumento do desejo do suicídio entre os enlutados.

Assim, o debate e a adoção da posvenção, termo Introduzido no Brasil com a dissertação de mestrado de Karen Scavacini (2011), se faz urgente.