Transtornos mentais e suicídios crescem entre PMs

Aumenta o número de casos de suicídios entre policiais

É preciso cuidar dos sobreviventes enlutados para que novos casos não ocorram, agravando ainda mais o problema

O Brasil tem hoje aproximadamente 425 mil policiais militares. Um trabalho de extrema responsabilidade e, por isso, bastante desgastante tanto física quanto emocionalmente. O resultado desta combinação são altas taxas de suicídios e transtornos mentais, segundo apurou reportagem da Exame. De acordo com a matéria, em São Paulo, por exemplo, estado com o maior efetivo policial do país (93.799 agentes),120 policiais militares cometeram suicídio entre 2012 e 2017.

A publicação entrevistou o pesquisador de segurança pública Paes de Souza, doutorando da Universidade de São Paulo (USP), cujo tema principal é a inadequação da formação policial para lidar com a pressão da violência cotidiana. Ele destaca que “o treinamento exigente – e muitas vezes abusivo – desde a entrada na corporação prolonga-se em um cotidiano de rigidez hierárquica e intimidação, agravando o estresse, o medo e a angústia inerentes à profissão. Quase sempre vividos em silenciosa solidão”.

A reportagem destaca que o problema ocorre em todo o país, mas especialmente nas regiões em que a polícia é mais violenta, como o Rio de Janeiro. Segundo pesquisa realizada entre 2010 e 2012 pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), no Rio, os PMs têm quatro vezes mais chances de cometer suicídio em comparação à população civil.

Os sobreviventes enlutados – se a morte de um ente querido já afeta a todos ao seu redor, a morte decorrente de um suicídio tem consequências específicas que devem ser observadas. O luto do suicídio é mais duradouro, carrega o estigma, o tabu, a busca incessante do porquê, ou a prisão do “e se” (“e se tivesse feito isso ou aquilo”) e o aumento do desejo de suicídio entre os enlutados, segundo Karen Scavacini, psicóloga especialista na temática. “Também é bastante comum que o julgamento do suicida seja transferido para família: não conseguiu ver, não tomou as providências necessárias entre outros questionamentos como estes”, afirma.

Outras consequências do luto por suicídio são os impactos físicos (que podem se assemelhar a outros tipos de luto), como insônia, agitação, fadiga, tonturas, palpitações, falta de apetite, boca seca, náuseas, alterações no ciclo menstrual e impactos cognitivos como angústia e fixação de pensamento (no momento em que encontrou o corpo, por exemplo). O luto traz ainda o questionamento das crenças e o isolamento: quem tentou se suicidar e sobreviveu ou quem era próximo do suicida pode desejar afastar-se ou pode ser afastado pelos amigos.

De acordo com Karen, além de agir na prevenção do suicídio, é preciso agir, infelizmente, após o ocorrido, buscando-se prevenir que novos casos ocorram entre quem ficou, a chamada posvenção: atividades que podem ajudar a diminuir o estresse causado pelo suicídio, ou seja, o suporte oferecido aos enlutados e a prevenção de um novo suicídio dentro desta população de sobreviventes. Segundo a psicóloga, a posvenção ainda é muito incipiente no país, apesar de sua extrema importância para os enlutados.

Para conferir a reportagem da Exame na íntegra, acesse: https://exame.abril.com.br/brasil/pms-sofrem-com-suicidios-e-transtornos-mentais-sem-apoio-da-corporacao/

Para saber mais sobre o luto por suicídio, assista à videoaula “Manejo clínico do luto por suicídio”, com Karen Scavacini: http://www.onelifealive.org/shop/manejo-clinico-do-luto-por-suicidio-palestra-com-a-profa-dra-karen-scavacini/

 

 

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