Comunicação terapêutica: o resgate do ser. Videoaula da Prof.a Dra. Maria Julia Paes da Silva

Como se aproximar de um paciente? Como transmitir a ele as informações devidas e prestar-lhe os cuidados necessários sem abrir mão da dimensão humana, respeitando sua individualidade e emoções? Há uma medida certa para o vínculo paciente-cuidador?

Com uma extensa carreira na área da Saúde e estudiosa em Comunicação, a Prof.a Dra Maria Julia Paes da Silva traz essas importantes reflexões para quem escolheu trabalhar com pessoas enfermas, as quais também podem contribuir positivamente para qualquer pessoa que conviva com enfermos em algum momento de sua vida.

Nesta importante videoaula, a Professora Maria Julia relata algumas de suas experiências e observações durante sua atuação na emergência de hospitais para destacar a relevância da comunicação não verbal.

De acordo com a professora, em situação de fragilidade, ameaça, as pessoas ficam muito mais atentas à comunicação não verbal, o que exige extremo cuidado por parte dos profissionais da saúde ao dar uma notícia ou explicar qual procedimento será adotado, por exemplo. Uma dissonância entre um gesto, uma expressão e o que está sendo dito pode resultar em uma quebra de confiança ou maior dificuldade na assimilação do tratamento.

 

A Professora Maria Julia destaca que o profissional da saúde deve ter um comportamento terapêutico, no sentido de “colocar algo que sabe à disposição do outro” e sempre se lembrar que foi por uma escolha própria que está ali, a serviço de alguém que necessita de cuidados.

Pontos de atenção na relação com o paciente:

A professora enumera alguns pontos que não devem ser esquecidos pelos cuidadores na relação com o paciente para que a comunicação se estabeleça da melhor forma possível (e que, consequentemente, trará reflexos para o tratamento):

  1. Fundamento da relação

Lembrar por que está ali, por que escolheu aquele trabalho e que inevitavelmente estará com pessoas que não estão bem.

  1. Dimensão cognoscitiva (cognitiva)

O diagnóstico é fundamental, mas também é importante lembrar que as pessoas não são números. Elas pessoas reagem de formas diferentes e uma mesma pessoa pode reagir de outro modo dependendo do momento de vida em que está.

  1. Dimensão operativa

É preciso lembrar que cada ação conta e que até a forma como o profissional da saúde cumprimenta ou toca o paciente interferirá em como a relação fluirá.

  1. Dimensão afetiva

Ter consciência e saber dosar a relação de afeto com o paciente, no sentido que todo o tempo eu afeto e sou afetada pelas pessoas. De que modo posso falar com aquela pessoa fragilizada? Como posso tentar suavizar sua dor? Esses e outros questionamentos podem e devem ser feitos, lembra a doutora.

  1. Dimensão ética religiosa

“Qual é o valor que sustenta as relações?” Este também é um questionamento que deve ser feito pelo profissional da saúde.

Nós somos mensagem

A Professora Maria Júlia lembra que nós, humanos, somos “totalmente mensagem”. Em suas palavras: “(somos mensagem) pelos nossos gestos, expressões faciais, postura corporal, pela distância que a gente mantém das pessoas, e inclusive pelo tom de voz que a gente fala com elas”.

Se tudo isso é válido em uma relação de trabalho, amizade ou qualquer tipo de convivência, tem um peso ainda maior na relação entre paciente e cuidador.

O espaço pessoal

Um importante ponto a ser observado pelos cuidadores é o espaço pessoal de cada paciente. A Professora Maria Julia destaca que não tem como cuidar de alguém sem invadir seu espaço pessoal, seu corpo. Então qual seria a melhor forma de fazer isso respeitosamente, estabelecendo um vínculo de confiança para que a convivência e o tratamento fluam de forma positiva?

Na avaliação da professora, o cuidador deverá conhecer seu paciente aos poucos, ser empático, lembrar que está adentrando aquele espaço para ajudá-lo e isso requer delicadeza em todo o gestual, como, por exemplo, evitar pegar nas pernas para cumprimentar o paciente (não cumprimentamos alguém que não está doente tocando em suas pernas) ou pedindo licença para mexer em suas roupas, avisando o que precisa fazer, entre outras possibilidades.

Não tem como cuidar sem invadir o espaço pessoal e para tanto é preciso ler a comunicação não verbal dessa pessoa para entender o quanto ela tolera essa aproximação”, afirma a Professora Maria Júlia.

Nesta comunicação com o paciente, outros fatores que podem ajudar ou provocar ruído devem ser levados em conta como a luz do ambiente, água e lenços à disposição, em suma, pequenos cuidados que demonstram ao paciente que o profissional está ali, por ele.

Cuidar e comunicar

Na visão da doutora, cuidar e comunicar são inseparáveis e cabe ao profissional da saúde aprimorar a sua comunicação, verbal e não verbal, tendo em mente que ele escolheu estar ali, exercendo aquele papel e não pode perder de vista o objetivo da relação paciente-cuidador.

Sem dúvida, a videoaula “Comunicação terapêutica: o resgate do ser”, da Prof.a Dra. Maria Julia Paes da Silva, traz lições valiosas para profissionais da saúde e para todos aqueles que precisam lidar com pessoas enfermas, lembrando a relevância de todas as formas de comunicação, de como somos mensagem e de como uma comunicação assertiva pode ajudar a criar vínculos de confiança ao respeitar o paciente e, assim, estabelecer as bases necessárias para um bom tratamento.

Veja seu currículo aqui.

Palestrante: Profa Dra Maria Júlia Paes da Silva
Título da Palestra: Comunicação Terapêutica – O resgate do Ser
Tempo de duração: 51 minutos
Idioma: Português – Brasil
Legenda: Português – Brasil
Período da locação: 1 semana

Currículo da Videoaula

Vídeo Comunicação terapêutica: o resgate do ser 00:52:00

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