O impacto das regras do luto

“Toda sociedade tem suas regras do luto e elas vão além de pressupor como devemos nos comportar, mas até mesmo como devemos nos sentirmos em relação ao luto. E isso afeta nossa elaboração do luto”. Kenneth Doka

Cada sociedade tem suas próprias regras do Luto, como nos lembra Kenneth Doka, referência em temas relativos à morte e luto, professor de gerontologia e consultor sênior da Hospice Foundation of America.

Tais regras pressupõem não somente comportamentos, mas também o que devemos crer, pensar, perceber em relação ao luto. Há coisas que são “aceitáveis” e outras “não”, o que acaba, por vezes, dificultando no nosso processo de elaboração do luto, podendo até levar a um luto complicado.

Como destaca Doka, muitas vezes sentimos luto por outras perdas que não são decorrentes de uma morte. Ou ainda uma morte pode nos levar a sentir luto por muitas outras perdas que a acompanham e a sociedade pode não ser suportiva.

Por exemplo, podemos ficar enlutados pela perda de um emprego, por concluir uma graduação e não mais vermos os nossos amigos diariamente, por mudar de país ou bairro e perder os contatos diários que tinha em meu bairro…  Tudo isso nos causa um luto e, no termo cunhado por Doka, um “Luto não reconhecido”, pois ele existe, mas pode ser não reconhecido pela sociedade onde estamos inseridos.

Uma mãe que perde um filho adolescente por exemplo, sofre pela perda dele, evidentemente. Mas ela também pode sofrer pela perda da convivência com os amigos do filho que deixaram de frequentar a sua casa.  Essas outras perdas constituem um luto não reconhecido.

Referência: Curso “O Luto, suas bases e expressões”, com Maria Helena Franco.

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